Para muitos praticantes de atividade física, o treino é sinônimo de liberdade, saúde e superação, mas quando o coração começa a “falhar no compasso”, surgem dúvidas e receios. As arritmias cardíacas, alterações no ritmo normal dos batimentos, podem assustar e, dependendo do caso, exigir ajustes no treino ou até pausas temporárias.
O desafio está em saber diferenciar as adaptações fisiológicas ao exercício (como a bradicardia de repouso em atletas de endurance) das arritmias que representam risco real à saúde. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, cerca de 5% a 10% dos atletas avaliados em exames cardiológicos apresentam algum tipo de arritmia. Embora sempre precise de avaliação médica, nem todas são perigosas.
Neste artigo, vamos explicar por que elas acontecem em quem pratica esportes, como identificar quando são preocupantes, quais são os tratamentos mais indicados e como manter a rotina de treinos com segurança.
O que são arritmias cardíacas e por que elas acontecem em quem pratica esportes?
Como saber se a arritmia é perigosa
Tratamento para arritmias em esportistas
Esporte e arritmia: quando reduzir ou parar o treino
A importância do acompanhamento com cardiologista esportivo
Conclusão
Uma arritmia é, de forma simples, qualquer alteração na frequência ou regularidade dos batimentos cardíacos. O coração pode:
Em esportistas, as causas podem ser variadas:
Atletas de alto rendimento, especialmente em modalidades de endurance (maratona, ciclismo, triatlo), podem apresentar bradicardia de repouso, ou seja, frequência cardíaca abaixo de 60 bpm. Isso geralmente é benigno e reflete a eficiência cardiovascular conquistada pelo treino.
Treinos excessivos, sem tempo adequado de recuperação, aumentam o risco de arritmias como fibrilação atrial. Um estudo publicado no European Heart Journal mostrou que atletas de endurance com décadas de treino intenso têm risco até 5 vezes maior de desenvolver esse tipo de arritmia em comparação à população geral.
Cafeína em altas doses, termogênicos e pré-treinos com compostos como sinefrina ou DMAA podem aumentar a excitabilidade elétrica do coração.
Algumas arritmias revelam cardiopatias ocultas, como miocardiopatia hipertrófica ou síndrome de Wolff-Parkinson-White.
A perda de potássio, magnésio e sódio pelo suor, sem reposição adequada, altera a condução elétrica cardíaca.
Nem todas exigem interrupção do treino, mas todas precisam ser investigadas, especialmente se acompanhadas de sintomas como tontura, falta de ar ou dor no peito.
O ponto de partida para tratar uma arritmia em quem pratica esportes é entender exatamente o que está acontecendo com o coração, e isso exige uma avaliação criteriosa. O diagnóstico começa com uma anamnese detalhada, na qual o cardiologista esportivo investiga quando os sintomas surgem, se estão relacionados ao esforço ou ao repouso, se existe histórico familiar de doenças cardíacas ou morte súbita e quais fatores podem estar contribuindo para a alteração do ritmo.
Em seguida, é fundamental recorrer a exames complementares. O eletrocardiograma de repouso (ECG) é o mais simples e rápido, capaz de registrar em segundos a atividade elétrica do coração. No entanto, por captar apenas um momento isolado, ele pode não identificar arritmias esporádicas. Por isso, muitas vezes é necessário realizar o Holter 24h ou 48h, que monitora continuamente os batimentos ao longo de um ou mais dias, incluindo durante treinos e atividades cotidianas.
O teste ergométrico (ou teste de esforço) é outro recurso importante. Ele avalia como o coração responde à prática física controlada, revelando alterações elétricas ou sintomas que só aparecem sob estresse cardiovascular. Em casos que exigem uma análise ainda mais detalhada, o teste cardiopulmonar (ergoespirometria) mede simultaneamente o desempenho cardíaco e respiratório, fornecendo dados precisos sobre a capacidade de esforço e a segurança para treinar.
O ecocardiograma complementa a avaliação ao mostrar imagens da estrutura e função cardíaca, permitindo identificar possíveis alterações nas válvulas, no músculo ou nas câmaras do coração. Quando há suspeita de problemas mais sutis ou relacionados a inflamações e cicatrizes, a ressonância magnética cardíaca pode ser solicitada. Exames laboratoriais também têm papel relevante, investigando níveis de eletrólitos como potássio e magnésio, hormônios tireoidianos e marcadores inflamatórios.
Somente após reunir essas informações o médico consegue classificar a arritmia como benigna ou potencialmente perigosa. O diagnóstico preciso é a base para manter o esportista ativo, sem abrir mão da segurança.
O tratamento em quem pratica esporte precisa ser individualizado, considerando não apenas o tipo e a gravidade do distúrbio elétrico, mas também o histórico esportivo, a modalidade praticada e os objetivos do atleta. Em alguns casos, uma arritmia é leve, não interfere na performance e pode ser controlada apenas com mudanças no estilo de vida. Em outros, exige intervenção medicamentosa ou até procedimentos mais complexos para evitar riscos maiores.
Muitas arritmias benignas respondem bem a ajustes simples, como redução temporária da carga de treino, aumento dos períodos de recuperação, hidratação adequada e reposição correta de eletrólitos, especialmente em modalidades que provocam grande perda de sais minerais pelo suor. Evitar o uso de estimulantes, como pré-treinos concentrados e termogênicos ricos em cafeína ou sinefrina, também pode reduzir significativamente a frequência de episódios.
Quando a arritmia é mais persistente ou sintomática, pode ser necessário recorrer a medicamentos. Os mais utilizados são os betabloqueadores e antiarrítmicos, que ajudam a controlar o ritmo cardíaco e prevenir novas crises. Nessa etapa, o papel do cardiologista esportivo é crucial, já que a dosagem e a escolha do fármaco precisam levar em conta o impacto na capacidade física do paciente. Alguns medicamentos, por exemplo, reduzem a frequência cardíaca máxima, o que pode influenciar diretamente no desempenho atlético.
Em arritmias mais complexas, especialmente quando há risco de agravamento ou quando o tratamento medicamentoso não é eficaz, podem ser indicados procedimentos como a ablação por cateter. Essa técnica utiliza energia de radiofrequência ou crioablação para eliminar os focos de condução elétrica anormal no coração, oferecendo altas taxas de sucesso e, muitas vezes, permitindo o retorno pleno ao esporte. Em casos específicos e de maior risco, como em pacientes com bradicardia sintomática grave ou predisposição a taquicardias ventriculares perigosas, pode ser necessário o implante de dispositivos como marcapassos e desfibriladores.
Felizmente, a grande maioria dos esportistas diagnosticados com arritmias pode retornar às atividades, com ou sem ajustes. Estudos mostram que mais de 80% dos atletas tratados voltando a treinar regularmente, seja mantendo a mesma intensidade, seja adaptando o tipo de exercício. O ponto central é que a decisão de continuar, reduzir ou modificar o treino deve sempre ser baseada em avaliação médica criteriosa, garantindo que o esporte continue sendo um aliado e não um risco para o coração.
Quando se trata de arritmias cardíacas, a decisão de reduzir a intensidade ou interromper temporariamente os treinos não deve ser tomada com base apenas na sensação do atleta. É uma decisão que envolve análise de diversos fatores clínicos, resultados de exames e o tipo de arritmia diagnosticada.
No entanto, existem situações em que é prudente interromper ou reduzir temporariamente os treinos:
Mas é importante ressaltar que a pausa não significa retrocesso definitivo. Nesses casos, a pausa é estratégica para permitir que o tratamento atue, evitar complicações e preservar a saúde a longo prazo. Durante esse período, é possível manter atividades físicas leves e monitoradas, que preservem a condição física sem sobrecarregar o coração.
A retomada deve ser gradual e programada, com acompanhamento médico. O retorno seguro ao treino depende de critérios objetivos, como a estabilidade do ritmo cardíaco, ausência de sintomas, normalização de parâmetros laboratoriais e exames de esforço que confirmem uma boa tolerância cardiovascular.
O manejo de arritmias em esportistas vai muito além do simples controle dos batimentos cardíacos. Trata-se de entender como o coração reage ao esforço e quais ajustes podem ser feitos para que o paciente mantenha sua rotina esportiva de forma segura. É nesse ponto que o cardiologista esportivo se diferencia: ele une o conhecimento técnico sobre doenças cardíacas à compreensão prática das demandas do treino.
O acompanhamento especializado permite não apenas diagnosticar e tratar, mas também prevenir novas crises. Isso é feito com estratégia como ajustes no volume e intensidade dos treinos, escolha de modalidades adequadas ao perfil cardiovascular e acompanhamento contínuo com exames periódicos. Recursos como o Holter 24, o teste ergométrico e a ergoespirometria ajudam a identificar respostas do coração que não seriam percebidas apenas na consulta clínica.
Em Foz do Iguaçu, o Dr Alessandro Machado é referência nesse tipo de atendimento. Sua atuação envolve desde a avaliação inicial até o acompanhamento de longo prazo, oferecendo um plano personalizado para cada paciente, seja um atleta de alto rendimento, seja alguém que treina por saúde e qualidade de vida. Ele combina tecnologia, experiência e abordagem humanizada para ajudar seus pacientes a manter o equilíbrio entre performance e segurança.
Saber que o treino está alinhado às necessidades do coração, que qualquer sinal de alerta será detectado precocemente e que existe um plano de ação claro em caso de intercorrências, transforma a relação do atleta com o esporte.
Com o diagnóstico correto, um tratamento bem conduzido e o acompanhamento especializado, a maioria das pessoas com arritmia pode continuar praticando esportes. O segredo está em respeitar os limites do coração e ajustar os treinos.
Se você sente palpitações, tonturas ou percebe que seu rendimento caiu sem explicação, procure avaliação médica. No esporte e na vida, quem cuida do coração joga sempre para o longo prazo.


